Ir para o conteúdo Pular para o menú principal
ANÚNCIO
Você sabia que é possível salvar matérias para ler mais tarde? Use o botão icone ler mais tarde Ler mais tarde
icone menu
Blog Tecnologia na Educação
NE
NOVA ESCOLA

E se a sala de informática fosse gerida pelos alunos?

Foto: Shutterstock

A recente ocupação de escolas em diversos estados me levou a pensar que esse espaço deveria ser sistematicamente ocupado pelos alunos. Afinal, seus ambientes estão a serviço de objetivos maiores: possibilitam que meninas e meninos interajam com o universo que os cerca, compreendam as diversas relações que se estabelecem a partir deles e conheçam as diferentes maneiras de eles serem preparados.

Com os recursos tecnológicos digitais da informação e da comunicação, que fazem parte do patrimônio escolar, não é diferente. Digitais ou analógicos, são de todos e para uso de todos. Portanto, é importante que o uso desses materiais, assim como sua organização, sejam objeto de planejamento por parte da gestão.

Antes, no entanto, é preciso superar a seguinte dicotomia: o uso pelos alunos versus a preservação do patrimônio. O mais importante sempre deve ser o acesso dos estudantes aos materiais. Cabe à gestão, portanto, encontrar estratégias que garantam uma vida mais longa a esses recursos.

Hoje, a forma mais usual de organização dos equipamentos tecnológicos na escola é em um único espaço, normalmente chamado de sala de informática, o que permite que apenas um determinado e restrito número de alunos participem, por vez, das atividades.

Há, no entanto, outras formas de distribuição que podem colaborar para um envolvimento maior da comunidade escolar na gestão dos recursos.

Uma delas é a implantação do aluno-monitor. Nesse projeto, um grupo de alunos, que poderia estar na escola no contraturno, fariam a gestão do uso coletivo dos espaços e dos equipamentos, coordenados por um adulto referência.

O adulto referência, que pode ser um professor ou funcionário, terá como atribuição formar os alunos e alunas que atuarão como monitores – incluindo o entendimento sobre o que é público e privado – e construir com eles as estratégias para a utilização do ambiente. Esse educador também deverá ajudar os colegas que não têm tanta intimidade com recursos tecnológicos. Mas, veja, a ideia não é que ele seja o único responsável pela sala, portanto, ele não é o dono da chave, nem dos equipamentos. Sua função é colaborar na gestão e na construção relacionada à responsabilidade sobre o uso coletivo.

Outra possibilidade é fazer parcerias com instituições que oferecem cursos tecnológicos. A Secretaria do Estado de São Paulo, por exemplo, tem o programa Jovem Tec. Nele, alunos de Ensino Médio podem fazer um estágio nas escolas na área de tecnologia. Para isso, eles recebem capacitação de empresas do setor. Assim, eles auxiliam os professores das salas de informática e desenvolvem competências socioemocionais importantes nas relações interpessoais.

Uma experiência muito interessante de uso compartilhado desse espaço foi realizada pelo diretor Rodolfo Pauzer, da EMEF Rui Bloem, no bairro de Pirituba, em São Paulo. Quando chegou à instituição, em 2011, ele encontrou cerca de 20 computadores entulhados em um depósito, depois de serem substituídos por máquinas mais novas.

“Junto com o restante da equipe gestora, decidimos que em vez de ficarem parados, os equipamentos poderiam continuar sendo usados por toda a comunidade escolar – alunos, professores e funcionários – tanto para atividades pedagógicas, como também para aproximar do mundo digital aqueles que não tinham familiaridade com o computador ou com a internet. Foi um verdadeiro sucesso reativá-los e oferecê-los a todos. O momento do recreio mudou por causa disso, já que eles passaram a ficar dispostos no pátio, próximo ao refeitório. Foi uma verdadeira aula de cidadania e de preservação do patrimônio público – nunca precisamos distribuir senhas e em dois anos, precisamos trocar apenas três mouses desgastados pelo próprio tempo de uso”, conta o diretor.

Inspirada pela iniciativa do Rodolfo, no final de 2011, realizei a mesma ação na escola onde atuava como diretora. Nos primeiros dias, claro, foi um alvoroço! Afinal, era a primeira vez que os alunos acessavam livremente os computadores, que não tinham senhas, nem cadeados. Mas ao longo de dois anos que acompanhei a proposta ser desenvolvida, somente um mouse sumiu – e, pouco tempo depois, foi devolvido. Na nossa experiência, os estudantes eram responsáveis por gerenciar o acesso durante o intervalo das aulas e a mediação era realizada, principalmente, pelos inspetores de aluno e alguns professores.

O processo demandou inúmeros debates, mediações e concessões, o que gerou uma reflexão crítica muito rica sobre o compartilhamento de espaços e de materiais. E, no final, o que percebemos é que a qualidade do uso do patrimônio, tanto no aspecto ético quanto no técnico, é decorrência da consciência sobre o uso responsável dos recursos.

E você, educador, como organiza o uso do patrimônio tecnológico da sua escola? Compartilhe sua experiência!

Abraços e até o próximo mês,

Jane Reolo

ANÚNCIO
LEIA MAIS
OUTROS BLOGS